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OBRIGADO PELA SUA VISITA BOM DIA SANTA CATARINA
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Joaçaba ,
Resgatando a história do Curso de Medicina
Atendendo ao convite do reitor participei da outorga do grau de médico aos bacharéis forjados no Curso de Medicina da Unoesc. Há algum tempo abandonei as cerimônias de formatura, também da minha área, porque não concordo com os festivais de ostentação e de gastança aliados ao mau gosto da algazarra, dos apitos e das cornetas estridentes das comemorações. Fui surpreendido por uma cerimônia de bom gosto, quase discreta onde predominaram falas inteligentes e equilibradas. A platéia comportou-se como poucas vezes pude ver nos últimos anos. Muitas figuras de fora, de longe. Teve de um tudo: de desembargador ao presidente do Conselho Federal de Medicina, Dr. Roberto d´Ávila, maior autoridade da medicina do país. - Que teria acontecido? O curso de medicina de Joaçaba foi um dos mais combatidos pela classe médica, local, estadual e federal. Por força do meu cargo, diretor da área das ciências biológicas e da saúde acompanhei o curso, do seu nascimento e em quase toda a sua trajetória. Depois de implantar a Odontologia, seus laboratórios, seu projeto pedagógico vencedor, sua área física, cutuquei o reitor a abraçamos juntos a idéia de implantar na UNOESC o curso de medicina. Fomos falando internamente e em voz baixa para não provocar risadas de escárnio. - Medicina em Joaçaba? Vocês estão loucos! Um dia descendo de elevador encontrei o Dr. Sérgio De Pauli, então meu vizinho de sala no Emacenter. Ele me perguntou como ia a “Odonto” e chutei-lhe a canela: - “ Cara”, vocês são uns frouxos! Até quando vocês vão esperar para implantar na UNOESC o Curso de Medicina? – ele baixou a cabeça e não me respondeu! Poucos dias depois veio o pedido ao reitor de um grupo de médicos e entre eles do Dr. De Pauli. Nascia a comissão. Lembro-me, claramente, do Walter, do Ricardo e do Roberto Marques, do Ramiro, do Descka, do Miguelito, do Tanaka, do Evaldo e mais alguns. Devo ter esquecido alguém. Compareci às primeiras reuniões que pouco acrescentaram. O pessoal não respeitava horário, mais tempo ficavam a atender os celulares. Não se conseguia pensar. Um dia, já de saco cheio, fui ao reitor: - Não dá para trabalhar com esses “caras”! Eles não sentam! Não socializam. Não refletem! Convocamos o José Mauro, grande e calejado pedagogo que andava meio solto na instituição para dar um norte ao projeto pedagógico. Na reunião seguinte, já com o Zé Mauro compareceu o Dr. Miguel, decano da arte médica e respeitado por todos. O projeto começou a sair do papel. Nesse meio tempo muitos malhavam a idéia. As instituições de classe ( Sindicato médico, Regional de ACM, o Cremesc) baixaram o pau no futuro curso. Muitos médicos gozavam a gente! A maioria ficou cética. O curso desceu aos infernos. Houve denúncias e processos. Acredito, fielmente, que o Dr. Miguel ao apoiar a causa deu o pontapé que faltava para a idéia pegar fogo. Em comum acordo, adotamos a metodologia vencedora da Odontologia. Montamos um curso de especialização em docência para a saúde, evoluímos para o Mestrado em Saúde Coletiva e os primeiros candidatos a mestre foram aparecendo. Indicada para a coordenação a Professora Jussara Quadros aceitou o desafio. Era a médica com melhor graduação de todo o grupo. A pedido do reitor fui à Itajaí e encostei o Professor Bruno Schlemper na parede: ou vai nos ajudar a fazer um bom curso de medicina no interior ou vai acontecer do mesmo jeito. O Professor Bruno aceitou e fez a diferença. Virou nome de centro acadêmico e chorou na formatura. O curso saiu. Alguns adversários viraram aliados. O curso ganhou diferenciais nos laboratórios de morfologia; eu mesmo me transformei em cata-cadáver. Construímos um laboratório de simulação com todos os recursos para um bom ensino de procedimentos médicos. Fizemos um dos melhores laboratórios de técnicas operatórias do sul do país. A Unoesc ganhou o Hospital Santa Terezinha da comunidade. O Reitor comprou o Hospital do Dr. Dantas na Ilha e lá instalamos o AMU ( Ambulatório Médico Universitário) , também modelo de instalação de ensino. Mesmo sem muito entusiasmo de alguns, o Hospital Universitário está servindo ao curso de medicina e aos demais cursos da saúde. Logo mais, vamos ter um grande hospital universitário! Todas essas imagens e muitas outras foram passando como filme pela minha memória enquanto assistia ao juramento de Hipócrates, no original, dos dezessete novos médicos que fizemos em seis anos. “ Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes. Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. Conservarei imaculada minha vida e minha arte. Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam. Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados. Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça. A minha maior surpresa nos atos de formatura foi ouvir o Dr. Bonamigo, um dos maiores adversários do curso transformado em paraninfo da turma, amado pelos novos médicos e aplaudido de pé pelo seu discurso-aula de ética médica, de elevada erudição. A segunda maior surpresa agradável foi ouvir o Dr. Roberto d´Ávila afirmar com toda a humildade, “nós autoridades médicas estávamos errados”; vocês fizeram aqui um grande curso de medicina. - O que teria acontecido? Conclusão: não é fácil derrubar uma idéia quando ela sai do coração e quando se tem certeza de onde se quer chegar. Parabéns “moçada”! Leiam, de vez em quando, o Juramento. Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br Um caso médico de Natal
Tenho o hábito de fazer uma visita de rotina ao HUST nos domingos pela manhã. Ando pelos corredores; cumprimento os abnegados colaboradores que deixam a família para cuidar das pessoas. Sou solidário com eles. Invariavelmente passo pela emergência que, invariavelmente, encontra-se lotada. Cruzo com enfermeiras, médicos, funcionários de apoio e aproveito para rever conhecidos que estão se servindo do nosocômio. Um dia desses, na minha peregrinação domingueira dei com um velho amigo, dentista prático, que há 44 anos me acolheu em seu consultório onde atendi o primeiro paciente, dois dias após a formatura. Lá estava sentado o vivente, com seu sorriso de sempre, na ocasião a meio pau. Tinha uma cara de quem comeu e não gostou; a cor não era mais a de bebedor de vinho; estava acinzentado. Ao seu lado, a companheira de mais de 50 anos, aflita e inquieta. Ao me verem demonstraram alívio como se tudo fosse se resolver ràpidamente: - O “véio” está passando mal! - enfatizou a esposa aflita. Foi na gruta de carro e quase desmaiou. - Estou bem tonto! – acrescentou o doente. Nunca tive isso! Acho que é a minha pressão que baixou de repente. O meu coração está disparando. Parece um burro xucro. Procurei acalmar os viventes. A médica de plantão já havia avaliado o meu doente e dois acadêmicos de medicina acompanhavam os seus sinais vitais. - Já pedi o especialista de sobreaviso! – disse a jovem doutora de plantão. Acho que ele está evoluindo para uma intercorrência circulatória. Fui à recepção da emergência e apressei o atendente que buscava um cardiologista. Lembrei-me do meu vizinho, colega de infância dos meus filhos. Pedi para ligar para ele. Eu mesmo assumi o ônus de perturbar o seu descanso de domingo. - “Cara” é muito grave? Acabo de chegar da uma caminhada estou pingando; será que dá tempo de tomar um banho?- disse o doutor ofegante, porém, calmo. - Fique frio! – respondi. O “véio” está sentado e assistido pela família, pelos doutorandos e pelo plantão! Tome teu banho que eu fico à espera. Menos de quinze minutos depois chega o médico, bonito, cheiroso, sorriso de menino. O “veio” olhou para mim desconfiado. Nessa altura o paciente já aguardava no consultório, rodeado de familiares, pelos acadêmicos e por mim. É preciso dizer que apresentava uma cara melhor, estava confortável e “papeava” coisas dos nossos velhos tempo. Retirei a turma de parentes e o “véio” ficou entregue ao especialista. Dei adeus aos familiares do amigo. Manifestei-lhes a certeza da minha confiança no médico e fui para o domingo com a família. No final da tarde, fazendo a caminhada de rotina encontrei o doutor e perguntei pelo meu amigo. - Fez um AVC isquêmico ( derrame) na minha frente, logo que você saiu! Está na UTI. Quinze dias se passaram. Outro domingo. Hoje. Oito horas da manhã. Um telefonema tira-me dos braços da amada. É o “véio” com sua voz de saúde: - Desculpe te tirar da cama! Eu e a mulher queremos te agradecer! Aquele médico se parece com o Menino Jesus, você não acha? - riu com disposição. - Sem vocês a gente não ia ter mais Natal! – gritou a mulher por trás do telefone. Deus mandou o Menino Jesus médico para salvar o “véio”! Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br Raimundo, o Colombo
Acabo de ler o livro “ Povo, tem rosto, nome e endereço” do senador Raimundo Colombo. Li de uma sentada o pequeno volume que recebi na fila de autógrafos, dias atrás. O senador fazia uma visita aos correligionários do meio oeste; fui lhe entregar um projeto do Hospital Universitário Santa Terezinha e um pedido para transformar a necessidade em uma emenda parlamentar, única via no momento para se tentar verbas federais para a saúde. Não conhecia o Raimundo. Sabia dele pela imprensa e pelas suas ações nos últimos anos, em mandatos políticos e empresas ligadas à Aliança que apóia o governador Luiz Henrique. Agrada-me conhecer as pessoas pelas coisas que escrevem. Os “escrevinhadores”, dificilmente, conseguem dissimular seu caráter quando se expõem por escrito. Fui entrando na vida pública e privada do senador, por entre as páginas singelas, escritas sem nenhuma pretensão literária, mas de conteúdo simples e humano. O Raimundo vai contando as estórias dos seus tempos de lageano, servente de armazém, líder de Grupo de Jovens, até entrar na política pelas mãos do Jorge Bornhausen, governador biônico do Estado de Santa Catarina. Talvez seja por isso que sempre mantive o Raimundo longe do meu interesse. A velha máxima ainda vale em muitos casos: “diga-me com quem andas e saberei quem és”. Nos meus já muitos anos de militância política, nunca consegui engolir o golpe de 64; para mim o Doutor Jorge carregará para sempre o estigma de político da ditadura. No entanto, começo a perceber que, apesar do preconceito, não posso deixar de levar em consideração que Doutor Jorge derrubou a Ângela Amin e elegeu o Paulo Afonso; teve especial desempenho na eleição do Luiz Henrique dando um tombo no próprio Esperidião. Daí tenho que admitir que o Raimundo, aos 23 anos, cruzou com o maior mago da política de bastidores que o estado já viu. Aprendeu a lição e pelas mãos do Doutor Jorge acabou secretário, deputado estadual, federal, três vezes prefeito de Lages e senador com a maior votação de todos os tempos da política catarinense. Coisa de milhão e oitocentos mil votos. Com toda essa bagagem o senador, cumpridos os primeiros lustros de seu mandato já contabiliza resultados importantes na esfera federal. As suas idéias contadas em livro, em pequenas narrativas da trajetória de sua vida fazem a gente acreditar que ele está pronto para ser a grande figura política catarinense da nova geração. Raimundo Colombo chega à raia da disputa de 2010 como um político sério, humilde, inteligente, astuto, articulado e vencedor. Aproveita um momento histórico de raras coincidências. O Doutor Jorge poderá figurar na equipe de primeiros conselheiros de José Serra, o candidato de maior cacife a Presidente da República. O outro aliado, Doutor Luiz Henrique, governador da descentralização, quer ir para o Senado com dois milhões de votos; apóia Serra e desejaria levar consigo o Cacildo Maldaner, atual suplente de Raimundo. Para o Raimundo restará a hercúlea tarefa de construir a Tríplice Aliança, no primeiro ou no segundo turno, mesmo botando “ovo em pé” como o outro Colombo. Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br Balanço do governo Jorginho Mello
A meteórica passagem do deputado e presidente da Assembléia Jorginho Mello pelo governo do estado em outubro, sem dúvida, repercutiu positivamente para a sua base eleitoral, o meio-oeste. Para os municípios da área de liderança de Joaçaba ficaram viabilizadas várias obras de importância regional como o recapeamento da estrada Joaçaba-Luzerna, o Centro de Eventos de Treze Tílias, o complexo aquático da UNOESC, o inicio da revitalização e ampliação do Hospital Universitário Santa Terezinha, instalação do 26º Batalhão da PM em Herval d´Oeste, entre outras. Ao que se sabe o governador em exercício visitou 50 municípios em 11 dias, sofreu acidente, apareceu na mídia nacional, semeou subvenções por todo o estado; além de recursos para a educação, saúde, esportes e eventos. Sancionou 7 projetos de leis e encaminhou vários outros para a Assembléia onde a sua presidência far-se-á até fevereiro de 2010. Um dos projetos de sua autoria, sancionado por ele mesmo tem a ver com a compra de vagas pelo estado para estudantes carentes, no sistema de educação superior catarinense. Entendo ser uma das melhores fórmulas para solucionar duas situações evidentes de carência no ensino superior: a própria carência do alunado que, numa faixa social de baixa renda, tem dificuldades para cumprir os compromissos com mensalidades, material de ensino e com a própria subsistência. Conheço casos em que estudantes universitários, vendem o seu bem mais precioso - o próprio corpo- para pagar as mensalidades. Outros mais, literalmente, passam fome deixando de fazer uma refeição básica para cumprirem seus compromissos; outro lado atendido é o preenchimento das inúmeras vagas ociosas existentes no sistema ACAFE e nas Associações de Ensino, o que vai permitir a sobrevivência de instituições que, sabidamente, enfrentam dificuldades para se manterem de portas abertas. Venho falando disso nos últimos anos chamando a atenção para a necessidade de o aluno ficar estudando em sua própria região de origem sem a descapitalização futura dos recursos humanos. Os alunos que migram para estudar, raramente, retornam desfalcando as cidades do interior.
Para a saúde, o milhão de reais a
ser repassado em 5 parcelas para o HUST, a iniciar em 6 de
novembro, estando a última prevista para 19 de maio de 2010, tem
muito significado. Precisamos recuperar o tempo perdido. Há mais
de 30 anos não são Da parte da comunidade hospitalar da região só resta agradecer o apoio oferecido pelos prefeitos da AMMOC e, em especial, pelo secretário Jair Lorenzetti na priorização do projeto de "Revitalização e de ampliação do HUST". Sabemos que estamos apenas iniciando e que vai ser necessário unir a região, dar uma procuração definitiva para que o deputado Jorginho Mello possa ir para Brasília, continuar lá, o grande trabalhoque ele vem prestando à região do Meio Oeste durante toda a sua vida pública. O meu voto já está reservado. Reserve o seu! Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br Da tecnologia e da vida
Por razões pessoais queimei um feriadão; tomei a direção oeste e fui conhecer o maior avanço tecnológico do século XX: a usina hidroelétrica Itaipu Binacional. A monstruosidade em cimento foi decidida, concebida, construída no período negro da ditadura militar, entre 1975 e 1982. É, pois, um filhote da ditadura que, do ponto de vista de realização, deu certo. Mais ainda porque, e esta é a grande frustração, abstive-me de visitar, em sua agonia e morte, o maior conjunto de cachoeiras do mundo, em volume d´água: as Sete Queda do Paraná ou Saltos de Guaíra, engolidos pelo lago que move as turbinas da binacional. Para complicar os meus pensares visitei antes as Cataratas do Iguaçu que, com as chuvas da primavera, receberam tanta água a ponto de aparecerem cerca de trezentos saltos de inenarrável beleza. À medida que me embrenhava pelas águas do Iguaçu, fotografando e me banhando nos refluxos dos saltos Floriano, Deodoro, Garganta do Diabo, Véu da Noiva, Cosme e Damião, mais me vinha à memória as manifestações pela agonia e morte das Sete Quedas, em nome da revolução tecnológica e da construção da hidroelétrica de Itaipu. Lembro-me de que o monstro de cimento foi nascendo na divisa do Paraguai com o Brasil como um segredo de estado. Poucas informações eram oferecidas à população ou à imprensa por se tratar de obra estratégica para produção de energia e para a garantia da segurança nacional. Mais de quarenta mil operários, entre engenheiros, construtores, peões de obra, biólogos, antropólogos e outros agentes sociais construíam e calculavam os impactos da usina maior do mundo, na região de sua implantação. Por conta do ufanismo do regime militar a obra ganhou vulto rapidamente e, em menos de sete anos, o monstro ficou pronto. Muita gente visitou a maravilha da natureza, dita Sete Quedas, que agonizava no leito do Rio Paraná. Já condenada a ser sepultada no grande lago a se formar no fechamento da barragem atraiu gente de todas as partes do planeta. Dias antes de se fecharem as comportas e iniciar o último ato do maior crime ambiental de que se tem notícia, a ponte Roosevelt que dava acesso aos saltos rompeu-se enterrando com as cachoeiras, trinta e cinco pessoas. Foram os mártires amantes da natureza que com seus gritos deram dimensão humana à dor da perda da maior queda d´água do planeta. Cheguei ao complexo binacional de Itaipú na meia manhã de um dia muito quente. Fomos recebidos pela segurança da barragem. Aliás, a usina é hoje um parque que, aos poucos, vem sendo explorado como uma indústria do turismo de espetáculo. Assistimos a um filme com a história do surgimento da empresa e da monumental obra tecnológica para a geração de energia. As explicações são dirigidas para o grandioso, o fantástico. De passagem se abordam as alterações ambientais. Ninguém fala no sepultamento de Sete Quedas ou da consumição da biodiversidade na região; nem mesmo nos milhares de hectares da melhor terra agricultável dos dois países, também afundadas nas águas do imenso lago cor de terra; nenhuma referência às alterações climáticas regionais. Fomos encaminhados por meio de veículos abertos, panorâmicos de dois andares para um reconhecimento do complexo de obras que formam a hidroelétrica. Tudo o que se vê é fantástico. A barragem é imensa. Sua altura corresponde a um edifício de vinte andares; o concreto utilizado na construção daria para fazer outros trezentos Maracanãs! A usina é responsável pela geração 70% da capacidade hídrica nacional e 100% da do Paraguai.
O meu coração permaneceu
angustiado. Não conseguia ter orgulho daquele monstro cinzento,
tecnológico, ultramoderno. Falta alma à Itaipu. Sua história não
está bem contada. Consolei-me no poema de Drumond escrito como epitáfio das Sete Quedas recém sepultadas em 1982: "Sete Quedas por nós passaram,/E não soubemos, ah, não soubemos amá-las.../E todas sete foram mortas,/E todas sete somem no ar.../Sete fantasmas, sete crimes,/Dos vivos golpeando a vida,/Que nunca mais renascerá..." Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br Jorginho, Governador!
Há um fato inédito ocorrendo nesse início de primavera: o deputado Jorginho Mello assume, por 10 dias, o governo do Estado. Para quem conheceu em menino, o Jorginho nascido e crescido nas escarpas de Herval d' Oeste fica fácil medir o grau de satisfação que isso trás para a vida do único representante da nossa esfera política, de mais de vinte municípios. Lembro-me do Jorginho vereador, pelos idos dos anos setenta. Lembro, também, da sua filiação a Arena, de certa forma desgostando os jovens seus conterrâneos, nos duros tempos dos governos militares. Veio daí o meu conflito com o novo governador. A medida que o PMDB ia perdendo terreno e representatividade na região, o Jorginho adquiria cancha e importância política. Depois de uma carreira profissional brilhante que lhe estadualizou o nome veio a primeira eleição a deputado estadual em 94 com mais de 19 mil votos. Um incansável trabalho político de formiguinha distribuindo benefícios permitiu que ele atravessasse o governo do PMDB como deputado fiel de balança. Entre outras coisas, a sua conduta na Assembléia, na época, livrou o Paulo Afonso da cassação. Já no segundo mandato, em 98, elevou a votação para mais de 26 mil votos, auferidos em várias regiões do Estado. O terceiro período, já na era LHS, confirmou-se na social democracia e passou a ser parceiro do governador Luis Henrique que tem por ele especial afeto. No quarto mandato atingiu mais de 54 mil votos e, definitivamente, assumiu a liderança política da região central do Meio Oeste, embora a maioria dos votos que o elegeram viessem de outras regiões do Estado. Estive na eleição e posse do Jorginho na presidência da Assembléia Legislativa. Unanimidade conquistada numa negociação sem precedentes no mundo complicado do legislativo catarinense. A própria oposição homenageou-o com uma abstenção consentida e nenhum voto lhe foi desfavorável. Estava sacramentada a liderança estadual do deputado Jorginho. O comportamento político do deputado fê-lo modelo de profissionalização na política; profissionalização construída, mais do que tudo, com muito trabalho e capacidade de manter-se, ao longo do tempo, ao lado do poder. Para a sofrida e desmotivada região central do Meio Oeste, que tem Joaçaba como epicentro de um vazio de lideranças políticas, a presença do deputado Jorginho, na presidência da Assembléia e agora na cadeira de Governador do Estado tem o sabor de uma grande conquista. É preciso dizer que muito disso se deve a astúcia e capacidade de trabalho pessoal do deputado, aliada a dedicação de uma equipe de fiéis colaboradores que, ano a ano, engrossam as fileiras de seus admiradores. Como homem de partido, diferente do partido do deputado devo dizer que o voto que lhe dei nas últimas eleições está cada dia mais bem justificado. Tenho recebido do deputado Jorginho especial consideração pessoal e resposta com trabalho nas empreitadas que ainda estou praticando para a região. O Hospital Universitário Santa Terezinha, que tenho a honra de dirigir, é uma prova disso. O deputado Jorginho Mello tem sido o maior benfeitor do Hust desde o momento de minha investidura na direção, há dois anos atrás. Em suas mãos está, também, o projeto de ampliação do hospital, orçado em mais de onze milhões de reais e que será a redenção da saúde de toda a região. Parabéns, Governador Jorginho, vossa excelência merece a lauda que a vida lhe alcança! Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br O poeta Miguel
deu baixa da vida!
Poetas não morrem: mudam de dimensão. Soube do passamento do amigo Miguel Russowsky, no morrer do sábado. Passei a lembrá-lo, incontinenti, pelos mais de trinta anos da nossa convivência. Numa altura da vida, quando eu apenas começava as atividades profissionais e ele já andara um bom pedaço da sua, o poeta me escolheu para guardar-lhe a saúde dental. De então para cá ganhei o prazer de estar com ele, de vez em quando. Aos poucos fui conhecendo facetas preciosas de sua personalidade. Descobri que, em cada página por ele esculpida, na forma de poema, ficava gravado um pedaço de um coração solitário e único, que mal cabia no peito, de permanente excitação. Conheci o Miguel tímido e sabedor de que o que lhe vinha de dentro tinha real valor. Em seu primeiro livro "Céu de Estrelas" está lá o soneto de introdução ao mundo das letras; lá ele revela o ninho solitário da águia em Quarto de Estudante: "Era apenas um quarto de estudante;/Encostada à parede estava a cama;/Ardia ao quebra-luz, pálida chama/ E alguns livros agrupavam-se na estante./// Sobre a mesa o retrato de uma dama,/Dama que é mãe, e agora está distante;/ Uma gravata , um colarinho adiante,/ Eis o cenário em que decorre o drama./// Uns recortes tirados de revista/ Mostrando as lindas pernas de uma artista;/Um mapa recortado dos jornais / O palco da guerra ali expunha./E o resto do quarto se compunha/ Do roupeiro, do estudante, e nada mais! (1945) Conheci o Miguel valente e seus conflitos com Deus, nas falas de Claudio Manuel da Costa no "Julgamento de Tiradentes", onde os helênicos dodecasssílabos são chicotadas contra a injustiça e a maldade. " ... Esse Deus de quem falam provoca-me asco,/Pois Deus onipotente é esse Deus carrasco/ Que fez o mel e o riso, fez a flor e a festa,/Quem, também, fez a lepra, fez a dor funesta/ Que, sendo um infeliz, encheu-se de vingança,/ Nos fez à sua imagem, a sua semelhança." Conheci o Miguel, corajoso e épico, bramindo o látego contra a morosidade da justiça dos homens em "O Segredo do Pântano", peça teatral de profunda inteligência. "...Meu amigo, a justiça é coisa muito séria/ Eu cresço na riqueza e cresço na miséria!/ Eu sofro com os pobres aguardando a vaga,/ Mas, como prostituta, eu vou com quem me paga..." Conheci o Miguel, médico generalista, um operário da medicina, o último recurso de toda uma geração. Em seu livro "Poesias Melancólicas" é o médico que se apresenta no prefácio: "Sempre me encantou, na medicina, a aparente insensibilidade do profissional à dor alheia. Sempre me desencantou nela a prevalência da estatística em detrimento da observação do caso individual... Aprender a usar o arsenal terapêutico é, relativamente fácil, para o médico comum, mas usar a linguagem que o doente precisa ouvir é o segredo do sucesso." " A minha profissão - dizem sacerdócio- perdeu a santidade e agora visa lucros./A força natural curadora ( e eu o sócio)/ Confesso com franqueza, eu fiz um bom negócio, ajunto sugestões e acalmo enfermos xucros... Conheci o Miguel, lírico poeta, capataz do amor que em "Noite de Lua" sonha e esculpe sonetos imortais: "Como a andorinha, ao vir da primavera,/ ela chegou radiante e delicada./ Era tão loura... Não seria uma fada/ semeadora do alento e da quimera?/// Mais tarde, no verão, à minha espera,/ com mais fulgor, ainda, apaixonada/ cortava os céus, em vôos, abrasada,/loura de sol, como se o sol quisera./// No outono, parecia entristecida.../ como andorinha, prestes à partida,/ mirava-se em distâncias sorvedouras./ Depois se foi. Mas, quando o inverno acabe,/ Tenho a impressão que voltará. Quem sabe?/ Quem sabe existam andorinhas louras...!?
Conheci o Miguel, já no ocaso da
vida, cada dia mais doce, irônico e franco, brincando com a
morte. Em "Cadeira de balanço" o poeta quer se aposentar da vida
para ser, apenas poeta,..."Minha velhice entrou devagarinho,/
com timidez e disse, delicada:/ - Não posso ver-te, triste,
assim sozinho,/ farei contigo a última jornada.///Simpática.
Sabia o meu caminho./ Não era feia, estava, sim, cansada./ -
Pois venha! - dei-lhe um copo de vinho./ Bebericou, sem se fazer
de rogada.... Conheci o Miguel, político e opinativo nos " confeitos de quimera", a sua melhor coletânea de sonetos, clássicos, métricos, esculpidos, admiráveis. Com eles transformou-se no maior sonetista da língua portuguesa do presente milênio. "Na minha aldeia pouca coisa muda.../Tem roupas nos varais, ao sol secando.../ Tem missa na capela ( vez em quando)/ Tem benzedeiras com seus chás de arruda.../// Tem solteironas ( três) - estão rezando/ a Santo Antônio que lhes dê ajuda-/ Tem um grupo escolar...( que Deus o acuda!)/ sem professora agora...e precisnado.../// A rua principal vai ser calçada.../ Tem posto de saúde... ( sem doutor)/Tem eu... ( que pus os pés em outra estrada)./// Também tem candidato a vereador.../ Tem cento e cinco casas... e nada mais/ ... e vai ser município. Sim , senhor! O Miguel visitei-o já nos últimos dias. Entregou-me autografado o "Cantares de um vulcão quase extinto". Nele a despedida: "Não antecipe nunca o sofrimento!.../ Diga -Bom dia!- ao sol que lhe saúda./ Seja qual um discípulo de Buda:/ É mister se gozar cada momento/// No "que será...será" que não se muda,/ se abrigam primaveras... ( mais de um cento!)/ Os "depois" nem podem ser tormento/ se os "agoras" lhe derem boa ajuda./// "Cara feia" - sinal de enfermidade-/ com certeza, costuma sobrepor/ mais pesos aos obstáculos da idade./// Alegre-se e sorria, por favor!/ Um sorrisinho de felicidade, /pois contagia e ativa o bom humor. " Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br Projeto Raízes, uma idéia simples que deu certo
Há cinco anos quando exerci a presidência do Comitê da Bacia do Rio do Peixe entrei em contato com um projeto ambiental que contemplava o plantio de mudas de árvores nativas tendo por motivador o envolvimento emocional de estudantes e professores do curso de engenharia da UNOESC-Joaçaba. A idéia constituía-se no convite ao universitário para plantar, com suas mãos, uma muda de árvore nativa, de sua escolha, em um determinado lugar do "campus"; fotografar o fato e localizar a muda no planeta, por meio de geo referência, num programa de satélite com nome e endereço do plantador. O aluno praticava um ato de alta relevância do ponto de vista da educação ambiental; deixava seu nome ligado ao "campus" universitário de sua formação e envolvia-se com o projeto de aliar suas raízes à preservação da natureza, aumentando a cobertura vegetal. A idéia, além de sustentada pelos propósitos do ensino andava na direção correta das políticas de reparação do desmatamento que dizimou a cobertura vegetal da maioria das regiões do país. O "projeto raízes" contemplou os alunos formandos do ano de 2005, seus professores, dirigentes universitários e autoridades ligadas à política ambiental. Seiscentas mudas de árvores nativas foram espalhadas pelos "campi" da universidade, plantadas com um ritual inesquecível para os participantes do ato.
Mais tarde, o projeto estendeu-se
a outras áreas; foi adotado pelo Comitê da Bacia do Rio do
Peixe. Envolveu órgãos ligados ao meio ambiente, inclusive o
Ministério Público. Essa instituição disciplinadora, que a cada
dia vem se envolvendo com os interesses da comunidade, de
maneira prática usou o "projeto raízes" como destino das ações
de ajuste de conduta; especialmente, aquelas que se referiam à
penalização de crimes de origem ambiental, como a construção de
aviários e pocilgas à beira das nascentes de água e o corte
ilegal de árvores. O Ministério Público acionava o infrator a
destinar mudas de plantas nativas, adquiridas em viveiros da
região, que eram descarregadas no "campus" Lembrando o "projeto raízes" quis fazer uma visita à minha árvore plantada há cinco anos. Consultei o registro no curso de engenharia. Localizei-a, por geo referenciamento, via satélite. Pude curtir a saudade de um tempo em que se pensava, discutia e as ações eram, de imediato, praticadas. Do alto de uma colina, o meu "Ipê Amarelo" impõe-se, coberto de flores, muitas delas formando um tapete dourado no chão. Vive em companhia de centenas de outras árvores de porte ainda esguio. O "campus" é, atualmente, um dos melhores locais para curtir a beleza do verde, o perfume de flores silvestres e o trinar de pássaros exóticos que adotaram o espaço ambiental recuperado pelo feliz resultado do "projeto raízes" nesse início de primavera. Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO adgar.bittencourt@unoesc.edu.br Crescendo à rabo de cavalo
Dizem que contra evidências numéricas não há argumentos. Acaba de ser divulgado o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal - IFDM - levantamento de dados que abrange os 5.565 municípios brasileiros. O patrono do índice é a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Os parâmetros considerados são: capacidade de geração de emprego e renda, educação e saúde. No último levantamento divulgado abrangendo dados oficiais, Santa Catarina figurava em quinto lugar. Avança agora para a quarta colocação seguindo São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Jaraguá e Brusque figuram entre os 50 maiores municípios considerados de alto desenvolvimento: Jaraguá em 28º e Brusque em 47º. Joaçaba que já figurou entre os cinco melhores municípios catarinenses despencou para vigésimo terceiro; Videira que já foi o segundo melhor colocado caiu para a nona posição. Considerando o índice emprego e renda, todos os municípios melhor posicionados estão no litoral: Jaraguá em primeiro, seguido de Brusque, Itajaí, Tubarão, Criciúma e Blumenau. Joinville está em 14º lugar. Ninguém do oeste sobressaiu-se nesse “ranking”. Já em saúde, o maior destaque fica para Descanso, no extremo oeste, com um índice de qualidade de 0,98 - coisa de primeiro mundo. Por outro lado, o pior município em saúde é Capão Alto, comuna da região serrana, com 0, 39. Dizem, que por lá o arroz é seco e o cemitério é uma mina de chumbo. Para entender o “ranquiamento” do IFDM, os dados são levantados a partir de números oficiais, por isso não conseguem ser muito atuais. No entanto, revelam tendências absolutas. As medidas são feitas de 0 a 1; assim, quanto mais perto de 1 estiver o índice, melhor estará o município com relação ao parâmetro analisado. Quanto mais longe do 1, pior a situação revelada. Com relação à educação, o oeste catarinense dá um show: Maravilha é o município de melhor índice (0, 87), seguido de Saudades (0,86) em segundo; destacam-se entre os dez melhores, ainda, Itapiranga, Iraceminha e Pinhalzinho. A grande preocupação é o Meio Oeste como um todo. A partir de Videira e Joaçaba, o tombo na classificação foi brutal. Joaçaba chega a ser destaque no recuo com relação aos parâmetros analisados; saindo de confortável quinto lugar para vigésimo terceiro numa paulada só. A análise desses números pode dar uma medida do que vem ocorrendo por aqui nos últimos anos. Não vamos exercitar a crítica pela crítica. Vamos tomar esses índices como sinal de alerta. Os nossos representantes devem tomar vergonha e rever as ações. O município vem enfrentando sucessivas administrações, de remediadas para medíocres. Ninguém se interessa em traçar rumos para o futuro. A população não é chamada para discutir seus interesses. Quando ocorrem as tais de audiências públicas, costumam ser uma tomada ridícula de lugares comuns para apoiar medidas já decididas. Está na hora de prefeito, vereadores, autoridades perderem o sono, olharem para os lados, sentar à mesa das decisões, esquecerem a própria imagem e perguntarem a si mesmos e à população em geral:
- Por que Joaçaba continua
crescendo à moda rabo de cavalo? Para baixo! Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO
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